21 abril, 2005

Contrastes Abstratos

Eu uma vez escrevi que adorava contrastes. E algumas pessoas vieram me perguntar o que significava isso. E eu me perguntei o que havia de complicado na frase: era o sujeito (Eu), o verbo (adorava...) e o objeto direto (contrastes)!! Nenhuma das palavras continha significado complexo. Complexo era ver a reação exagerada pra uma frase tão simplória. Eu realmente não entendi. Até hoje.

Sobre o contraste, lembro de sua primeira aparição na minha vida quando, inútil adolescente que era, inventei de tentar pintar com tinta a óleo. Um dos livros de que me servi na época valorizava cores escuras para dar ênfase às claras. E tinha uma ilustração ao lado. E eu entendi. E concordei. E admirei aquela simplicidade de constatação.

Amo pessoas razoáveis que têm cara de malucas. Amo pessoas inteligentes que são bonitas. Amo pessoas que sabem valorizar, igualmente, um comentário idiota despretensioso e as reflexões de Nietzsche. Amo pessoas que curtem contrastes, mas que também são um pouco homogêneas demais - seria que os opostos se atraem?

A partir disso, talvez eu seja homogênea demais. Ou não. A princípio, pensaria em alguns fatores sérios:

1. As pessoas me fascinam. As pessoas me irritam.

2. Eu sempre acredito que tudo um dia vai dar certo. Eu sempre acredito que tudo um dia vai dar errado.

3. Analogamente, eu só vejo coisas boas no mundo. Mas também só vejo coisas ruins. Não ao mesmo tempo, claro. Em momentos diversos.

4. Na época em que eu trabalhava numa agência de música clássica e nos fins de semana ia à Bunker ouvir rocks obscuros, me sentia a mais interessante das pessoas.


Eu poderia passar horas explicando cada um desses ítens, e tentar convencer você de que não é um caso de esquizofrenia. Mas creio que a única explicação está no quinto ítem:

5. Sou racional em meus pensamentos. Sou extremista em minhas sensações.

Um exemplo: odeio velhos quando os vejo prestes a roubarem meu lugar no metrô, mas vejo perfeitamente o quão revoltante é não perceber a validade dessa regra geral. Isso explica também o fator no 1, que é o crucial em minha pessoa.

O que eu quero dizer com tudo isso? Não sei bem. De repente fui tomada uma forte sensação de apreço pelo contraste. Provavelmente no próximo segundo estarei estranhando isso, mas que fique assim por enquanto. O pensamento contrário fortalece uma idéia. Meu lado ruim é o que me mostra ser uma pessoa melhor. A escuridão do mundo pode fazê-lo parecer ainda mais iluminado.

3 Comments:

Blogger Madame P. Mandrack said...

Muito bom, sócia!
beijos

10:49 PM, abril 21, 2005  
Anonymous Anônimo said...

Talvez as pessoas não tenham te entendido tão bem por que "Eu adoro contrastes", apesar de ser uma frase simples, pode ter significados os mais diferentes e complexos, como os que você mostrou. O que, ora veja, não deixa de ser um contraste...

Fique à vontade de se apropriar de qualquer coisa escrita no meu blog. Uma pena que você só tenha chegado no fim da vida dele, que deve acabar em breve - só deve durar mais um ou dois posts. Bem, em todo o caso os arquivos dele também podem ser apropriados à vontade - e eu devo começar outro blog quando meu computador voltar a ter condições decentes, ok?

Ah, e eu me identifiquei com esse seu post, vou me apropriar dele também. Acho que estamos quites, não? ;-)

Um abraço, Sheila.

3:18 PM, abril 24, 2005  
Anonymous Anônimo said...

bom comeco

5:31 AM, novembro 20, 2009  

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